Além de família, o que temos? Namorado não conta, trabalho não conta, o Joaquim da padaria não conta. Por mais que você converse com ele todos os dias de manhã, com robe e cara de sono. Sim, sobram as pestes e os pobres coitados dos nossos amigos.
Vários conselhos de um lado, e às vezes neuras ou demonstrações de auges paciência de outro. As neuras e as demonstrações de tolerância são infinitos? Tomara que sim. Mas vários não são.
Manusear uma amizade é muito complicado, quando se muda de cidade e principalmente quando os interesses se mudam completamente. Uma mudança de cidade pode ser renovadora de amigos ou agonizante. Mas sempre há os que ficam conosco (mesmo longe) e os que vão te visitar.
Enquanto eles não visitam, sofremos uma crise de abstinência de contar as coisas que passam. Posso falar com o Joaquim da padaria que estou péssima, falando de meus problemas, enquanto ele pensa com um sorriso amarelo "Foi uma pergunta retórica e comum, por favor, não me fale de seus problemas agora". Também podemos falar no nosso almoço de trabalho, enquanto todos sentem a mesma coisa ou te estranham pela intimidade. Por mais que todos sintam a mesma coisa, deve-se fal(se)ar: "Muito bem, obrigada! E você?". Afinal somos todos pessoas equilibradas e sem chateações.
Fala deve ser selecionada. Mas algumas vezes london can't take it.
Escrito por Luxcie Roschatz às 15h01
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Inferno dos possíveis
O inferno dos possíveis amedronta. A possibilidade dos caminhos a serem tomados, das ruas atravessadas, sem saber onde chegaremos. E pra muitos importa somente ir rapidamente, para ver e chegar no destino o quanto antes.
E novamente vos digo: glu-glu-glu.
O possível não é um grande material de estudo, mas é uma das coisas convive-se mais intensamente pois somos seres altamente capacitados a idealizar, a (in)decidir. Também somos seres com grande abilidade de acumulação de culpa sobre si mesmo. O possível se torna um círculo infernal então.
O pão que poderia ter queimado, a carro que poderia ter batido, o emprego que poderia ter sido achado ou perdido, a página do jornal que poderia ter interessado, a meia que poderia ter saído da gaveta, a rua que poderia ter sido percorrida, a música que poderia ter sido conhecida, a dança que poderia não ter sido aprendida, o cineasta que não deveria ter morrido. Mas junto à acumulação de culpa, podemos ser condicionados a ter sorte, receber uma ligação de Deus ou possuir senso mental (depende do seu modo de pensar) pra escolher o quarteirão a ser tomado. Mas o que importa é que não dá para saber o maldito caminho e o local de destino. Somos míopes sem lentes. Cuidado, senão os carros atropelam.
Glu-glu-glu.
Escrito por Luxcie Roschatz às 10h42
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